href="https://1in56million.org/pt/tribos-perdidas-de-israel">

As Dez Tribos Perdidas de Israel

As dez tribos perdidas de Israel foram exiladas pela Assíria em 722 a.C. e nunca tiveram retorno registrado. Para onde foram? As teorias, as rotas e o que podemos e não podemos saber.

Em 722 a.C., dez das doze tribos de Israel foram levadas ao exílio e desapareceram do registro. Seu destino é um dos maiores enigmas da história.

O exílio de 722 a.C.

Após a morte do rei Salomão, o reino unido de Israel dividiu-se em dois. O reino do sul, Judá, centrado em Jerusalém, abrigava as tribos de Judá e Benjamim. O reino do norte, maior, manteve o nome de Israel e reunia as outras dez tribos — Rúben, Simeão, Issacar, Zebulom, Dã, Naftali, Gade, Aser e as duas tribos de José, Efraim e Manassés.

No século VIII a.C., o Império Assírio era a superpotência do antigo Oriente Próximo, e sua política em relação aos povos conquistados era a deportação. Ao longo de uma série de campanhas que culminaram na queda de Samaria, a capital do norte, por volta de 722 a.C., os reis assírios Salmaneser V e Sargão II derrotaram o reino do norte e levaram embora boa parte de sua população. Isso não é folclore contestado; está registrado na Bíblia Hebraica (2 Reis 17) e, de forma independente, em inscrições reais assírias. O próprio Sargão II gabou-se de ter deportado 27.290 pessoas de Samaria — um número que descreve a elite e uma parcela da população, não cada israelita.

Segundo o relato bíblico, os deportados foram reassentados ‘em Hala e em Habor, junto ao rio Gozã, e nas cidades dos medos’ — regiões que correspondem à alta Mesopotâmia e ao noroeste do Irã. Populações estrangeiras foram trazidas para substituí-los. A partir desse ponto, as dez tribos do norte desaparecem do registro histórico como tribos distintas e organizadas.

Por que ficaram ‘perdidas’

‘Perdidas’ é uma palavra um tanto enganosa, e vale ser preciso sobre o que de fato aconteceu, porque o mistério vive na lacuna entre dois fatos.

O primeiro fato: as tribos do norte foram deportadas e nunca tiveram retorno registrado como tribos. Quando o reino do sul, Judá, foi depois exilado para a Babilônia em 586 a.C., uma comunidade substancial retornou décadas mais tarde, reconstruiu Jerusalém e preservou sua identidade — e é de Judá que descende a palavra ‘judeu’. As dez tribos do norte não têm nenhum retorno documentado desse tipo. Nenhuma crônica registra que tenham ressurgido sob seus estandartes tribais.

O segundo fato: as pessoas não simplesmente se evaporam. O desfecho histórico mais provável é prosaico — que a maioria dos israelitas do norte deportados tenha sido gradualmente absorvida pelas populações ao redor, casando-se e assimilando-se ao longo de gerações até que sua identidade distinta se dissolvesse. Alguns quase certamente permaneceram na terra e se fundiram ao reino do sul ou à população que se tornou os samaritanos, cuja pequena comunidade sobrevive até hoje.

Então elas ficaram ‘perdidas’ no sentido de que se perdeu uma identidade israelita distinta e rastreável — não necessariamente que dez nações inteiras tenham marchado intactas rumo a um destino secreto. É exatamente nessa distinção que a história cuidadosa e a teoria especulativa se separam.

As teorias da migração

A ausência de um retorno registrado criou um vácuo, e por mais de dois mil anos as pessoas tentaram preenchê-lo. As teorias vão das historicamente fundamentadas às francamente imaginativas.

  • Absorção e assimilação — a visão histórica predominante. Os deportados foram dispersos pelo Império Assírio e gradualmente se fundiram aos povos vizinhos, deixando descendentes que não mais se identificavam como israelitas. Pouco dramático, mas bem sustentado pelo modo como as deportações antigas em geral funcionavam.
  • Migração para o norte e o oeste. Uma família de teorias — o anglo-israelismo entre elas — propõe que grupos de exilados migraram ao longo de séculos pelo Cáucaso e pela Europa, e que descendentes identificáveis sobrevivem entre os povos europeus. Seus defensores apontam povos como os citas e os cimérios como intermediários. Os estudiosos predominantes consideram esses vínculos não comprovados e entendem que as evidências linguísticas e arqueológicas não os sustentam.
  • Dispersão para o leste. Outras tradições rastreiam os exilados rumo ao leste, para a Pérsia, a Ásia Central, o Afeganistão e a Índia, ligando-os a grupos que mais tarde preservaram costumes ou reivindicações israelitas.
  • O lendário Sambation. Um conjunto de lendas judaicas situa as tribos além de um rio mítico, o Sambation, que se enfurece seis dias por semana e descansa no Shabat — uma forma poética de dizer que estão fora de alcance, num reino mais de esperança do que de geografia.

Vale manter essas coisas separadas na mente. A primeira é história; as demais são hipóteses de força variável, e o leitor honesto mantém o controle de qual é qual.

Descendentes reivindicados ao redor do mundo

Pelo mundo afora, um número impressionante de comunidades reivindicou — ou foi reivindicada por outros — como descendente das tribos perdidas. Algumas dessas tradições são antigas e sustentadas internamente; outras foram atribuídas de fora. Umas poucas foram reconhecidas de forma limitada por autoridades judaicas; a maioria não.

  • Os Bene Israel e os Bnei Menashe da Índia, estes últimos no nordeste do país, que se atribuem à tribo de Manassés. Alguns Bnei Menashe passaram por conversão formal e emigraram para Israel.
  • Os Beta Israel da Etiópia, historicamente ligados na tradição à tribo de Dã, a maioria dos quais vive hoje em Israel.
  • Os pashtuns do Afeganistão e do Paquistão, entre os quais sobrevive uma persistente tradição de descendência israelita, ao lado de costumes que alguns observadores associam à prática israelita.
  • Os povos da Europa ocidental e setentrional, sob o anglo-israelismo e movimentos correlatos — a alegação de que a Grã-Bretanha e, por extensão, as nações de origem britânica carregam a linhagem de Efraim e Manassés.
  • Várias comunidades na África, na Ásia Central e nas Américas que mantêm tradições de origem israelita de antiguidade e evidência variadas.

O próprio padrão é revelador. A ideia das tribos perdidas tem enorme gravidade cultural, e comunidades em todos os continentes encontraram sentido em reivindicar uma parte dela. Isso, por si só, não torna as reivindicações verdadeiras ou falsas — cada uma deve ser pesada por sua própria evidência —, mas explica por que as tribos surgem, por assim dizer, em quase toda parte ao mesmo tempo.

O que as evidências sustentam

Então, aonde nos leva um balanço honesto? Ajuda separar o que está documentado, o que é plausível e o que é incognoscível.

Documentado: o reino do norte de Israel existiu, os assírios deportaram grande parte de sua população por volta de 722 a.C., e esses deportados nunca tiveram retorno registrado como tribos distintas. Este é terreno sólido, atestado por fontes tanto bíblicas quanto assírias.

Plausível, porém não comprovado: que descendentes identificáveis sobrevivam em comunidades modernas específicas. Algumas comunidades têm tradições orais e, em poucos casos, sinais culturais ou genéticos sugestivos. Mas a genética tem aqui um limite rígido que nenhum entusiasmo consegue superar: o DNA pode revelar ampla ascendência e marcadores ligados ao Oriente Médio, mas não pode provar descendência de uma tribo perdida específica, porque não existe um genoma de referência verificado das tribos de Israel para servir de comparação. Um resultado pode ser uma pista de pesquisa genuína. Nunca pode ser um certificado.

Mais provável, e menos dramático: que o grosso das dez tribos tenha sido absorvido pelos povos vizinhos do antigo Oriente Próximo e transmitido sua ascendência silenciosamente por incontáveis linhagens mistas — o que significa que fragmentos de descendência israelita podem estar amplamente espalhados por muitas populações, sem que nenhum povo isolado seja ‘as’ tribos perdidas.

Nada disso diminui o fascínio da questão. As tribos realmente se perderam, a busca por elas realmente atravessou milênios, e o seu próprio lugar nessa longa história merece ser investigado — com cuidado, com as evidências diante de si e com as lacunas honestas deixadas em aberto.

Solicite Seu Kit de DNA Gratuito →